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Há algum tempo venho acompanhando o site Drawn que tem me proporcionado momentos de inspiração estupendos. Essa animação foi noticiada lá. O autor que atende pela alcunha de Animalcom é um ilustrador, animador e filmmaker canadense. Ele tem um canal no vímeo com muitas das suas animações. Confiram.
The Astronomer’s Dream (2009) from Animalcolm on Vimeo.

Ok. Ok. Sim, quebrei minha mão. E vou começar dizendo que foi um acidente doméstico muito estúpido. Muito, muito estúpido, ok? Ok. Que bom que resolvemos esse assunto. Não falamos mais nisso, ok? Ok então.
Pois bem. Depois de um hiato de duas semanas sem fazer nada (na medida do possível) que requistasse a mão direita, hoje voltei a trabalhar fazendo as cenas do filme do Otto. Também terei pela frente a página 04 de Dueto, a HQ que tô dazendo com o ATL e uma história que espero publicar na próxima Picabú. Fiquem antenados. Abraço.
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Página 03 de Dueto tá no ar. Alessandro me mandou faz tempo, mas só coloquei agora. Explicações no post acima.
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Eu estava parado na rodoviária de Montenegro, esperando meu ônibus que partiria para Porto Alegre às 19h e 10min. Estavam acontecendo obras no pavimento da garagem onde os ônibus chegam. O barulho era ensurdecedor. Eu via as pessoas ao meu redor conversando, mas não ouvia um som do que elas diziam.
A cobertura da garagem era mais baixa que os postes de luz da rua, e bloqueava a luz deles, fazendo com que o ambiente fosse mais escuro do que geralmente era. Os homens da obra era apenas silhuetas. Um deles manejava uma pá. Outros dois, um nivelador de asfalto. Haviam mais três ou quatro montados em máquinas. A máquina de comprimir o asfalto era a que produzia grande parte do barulho, e a coisa que mais se movimentava no meio disso tudo.
Pensei em tirar o livro da mochila e ler, enquanto isso. Não conseguiria. O barulho era demais.
Eu havia dormido pouco, senti os olhos arderem. Olhei fixo para a máquina compressora que apontava um farol em minha direção.
Fechei os olhos.
***
De repente me vi acordando com 40 e poucos anos. A barba de mais de três meses pendurada na cara. Um quarto escuro, sem mobília além da cama. Apanhei um casaco, calcei as botas e fui pra rua.
- CORTE -
Um campo aberto. Noite. A luz elétrica havia sido DESABILITADA.
Pequenas casas (cabanas) como a minha se espalhavam atrás de mim. Eu saía da cabana como muitos outros, todos com a mesma aparência de cansaço que eu. Troquei olhares com alguns deles. Era quase como um exército de homens despertando, olhos inchados, mãos nos bolsos dos casacos.
O campo era extremamente amplo e plano. O horizonte escuro se expandia ao infinito. Eu sabia que participava do evento mais importante da história. À nossa frente, centenas de homens manejavam máquinas que liberavam faíscas, erguiam torres, gritavam e não eram ouvidos. O barulho das máquinas era o que havia nos cansado. Não sei se estava ali esperando meu turno ou apenas de testemunha.
O que eu sei é que aquilo não acontecia apenas onde eu podia presenciar. Acontecia no mundo todo. Era um evento global. No mundo todo, as pessoas participavam daquilo. Sem comunicação. Sem entusiasmo festivo. Sem nenhum tipo de enfeite. Era apenas o que era.
As máquinas atingiam um ritmo cada vez mais rápido.
As pessoas ao meu redor se aproximavam cada vez.
E de repente UM CLARÃO…
E eu tinha certeza que o mundo tinha acabado.
***
Abri os olhos novamente. A máquina compressora apontava o farol diretamente no meu rosto. Meus pés voltaram a pesar. Minhas mãos começaram a tremer de leve. A respiração foi suavemente voltando ao normal. Dez minutos depois, embarquei no ônibus.
Porto Alegre. Ainda 7 de abril.
Tarde quente e preguiçosa. Os gatos, mais devagares que eu. Sentei no sofá sem mexer do lugar pra ver um filme. Escolhi o último do Kaufman, que ele mesmo dirigiu. Achei estranho estar me vendo na tela do computador.
21h da noite. Saio do consultório da terapia e dou uma volta pela Osvaldo. Assisto um gato persa em uma gaiola de uma pet shop: os olhos esbugalhados, as patas cravadas no chão da gaiola. Bonitinho. Resolvo voltar pra casa, pois Mariana já deve ter voltado do trabalho. Na parada do ônibus, ouço uma confusão atrás de mim. Um garoto de rua sai correndo da redenção em direção ao hospital, dribla dois policiais militares, um homem e uma mulher. Na disparada final, quando deixou os dois com cara de bobo pra trás, o cara do cachorro-quente o segurou pela cintura, e fechou os braços em volta de seus ombros. Fim da linha.
A criança, que não passava dos 7 anos de idade, tomou um tabefe da brigadiana e um safanão do brigadiano. Quando reagiu, um cassetete vou nas suas pernas com tanta força que ouvi o som do osso parando a madeira. O berro da criança foi terrível.
Do meu lado, uma velha:
- Isso. Tem que pegar. Tem que bater, que isso aí quando cresce depois sai matando a gente na rua. Tem que segurar com força e… (um prazer imenso no rosto neste momento, quando me virei pra ver de onde vinha aquela voz)
- Tá falando isso pra quem? – perguntei. Nem reconheci minha voz. Era mais um rugido que assustou algumas pessoas ao meu redor. – Eu não quero ouvir isso! PRA QUEM TU TÁ FALANDO ISSO?
Ela calou-se, e entrou no primeiro ônibus que apareceu.
***
Mariana foi dormir e voltei pra ver mais um pouco do filme. Não fui trabalhar hoje. Não me sinto bem. Já é dia 8 de abril.
Termino de ver a história da existência mais triste do mundo. No spoilers. Veja com seus próprios olhos.
Pensei em quantas vidas é preciso para se fazer tudo certo. O que é necessário pra que o tempo passe e nos deixe satisfeitos. Se o medo que eu sinto de morrer ou perder quem eu amo precisa ser tão grande quanto eu faço. Em todos que deixei pra trás e nunca dei atenção, mas não há tempo. Pensei em meu pai. Pensei no que é necessário ter dentro de si pra conseguir abandonar a vida que se tem, e não se conectar com nada que há no passado. Quando se tenta, enfim, sempre é tarde demais.
Mariana sempre me diz que meu trabalho vai surgir de verdade quando eu encarar o demônio dentro de mim. Às vezes acho que ele se esconde. Só de sacanagem. Não quero mais ser cheio de potencial. Quero ser. Enfim, não dá bola. São três da manhã. Se você leu até aqui, obrigado. E boa noite.
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Na seção mini-novelas agora tem a HQ que eu e meu primo estamos fazendo a quatro mãos. Terminei minha página ontem. É muito bacana essa brincadeira: ele começou com uma página de onde eu deveria partir, sem nenhuma orientação. A próxima é dele. Tô ansioso pra ver o que ele vai aprontar. Quem sabe não rola um zine disso depois? Vai saber…


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Já estamos em abril. O ano já começou oficialmente há mais de um mês, a ressaca do ano novo se foi junto com a galinha com farofa ralo abaixo, e constatei que minha bloga está aqui, atirada às traças enquanto me fodo todo pra atualizar todas as fucking redes sociais alone em que me inscrevi e que não me dão nenhum retorno de coisa alguma.
Se eu ainda fosse um cara über-ocupado… nem me desculparia. Mas enfim, faço meu turno vampírico no Otto, curto minha amada esposita nas quatro horas que temos disponíveis e tenho produzido pouco. O nome disso é incompetência. Tenho uma lista de 15 filmes ruins que vi nos últimos meses e nenhum desenho pra postar aqui. Ruim, né?
Mas como diria a canção: “It’s a new dawn. It’s a new day”. Enquanto toco ficha na segunda página de uma história que faço a quatro mãos com meu padrinho, ponte aérea Riograndedosul-Bahiaquenãomesaidopensamento, vou postando aqui coisas bacanas que me inspiram na interneta, pra vocês darem uma olhada. Assim eu tiro a poeira da bloga e passo a fazer algo produtivo. Fica ligado, bichô!
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